Entre Espadas - Capítulo 45
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- Capítulo 45 - Um Conto de Dois Irmãos (4): Sobre suas asas.
Durante o período de gestação restante que Ayame passou sob os cuidados de Huo, até o dia do nascimento de Masaru, os dias foram pacíficos. De vez em quando Huo Liming ajudava o pequeno Gonkuro a aprender a usar um velho arco que havia encontrado pela casa. Aos poucos, o menino começava a adquirir certa técnica, e o mestre até brincava sobre apresentá-lo a um arqueiro que certamente o ensinaria a utilizar o arco até mesmo de olhos fechados.
No entanto, no final, o tal arqueiro nunca era trazido. Quando perguntado sobre o motivo, Liming sempre falava que a saúde do homem era um tanto frágil e, por isso, ele passava a maior parte do tempo descansando em seu quarto.
Já Daiki, muitas vezes, se via preocupado com o tempo que estavam passando fora de casa. Mesmo em meio à sua preocupação, o homem em nenhum instante cogitou deixar sua esposa grávida e seu filho para trás e voltar sozinho. Ele decidira que esperaria até que pudessem voltar para casa juntos, os quatro. E assim, eles seguiram. No dia do aniversário de cinco anos do Gonkuro, eles apenas fizeram alguns doces os que o menino gostava. Seus cabelos já estavam na altura dos ombros, pelo longo tempo sem cortar.
Quando questionado se gostaria de cortar o cabelo, o menino respondeu que queria deixá-lo grande, igual ao de sua mãe. A resposta fez Ayame rir orgulhosa de seu filho e enchê-lo de beijos e elogios, enquanto Daiki ficou levemente enciumado.
Aos poucos, o pequeno Gonkuro ficava até mesmo um pouco mais vaidoso, como sua mãe, passando a usar mais acessórios dourados, ao mesmo tempo em que melhorava seu combate com o auxílio de Daiki e Liming. Com apenas cinco anos, o menino talvez já conseguisse derrubar um adolescente muito maior que ele. E assim, aprendendo sempre um pouco mais, os dias se passaram até o dia do nascimento de sua irmã. Naquele dia sua mãe entrou em trabalho de parto logo cedo, fazendo que seu pai e Huo passassem o restante do dia ocupados, deixando o menino livre e sozinho para explorar o templo.
[…]
Durante o dia, tudo se permaneceu relativamente tranquilo. Gonkuro praticamente já conhecia aquele local como a palma da sua mão. Ele sabia onde ficavam todos os quartos, o lugar da cozinha, os melhores espaços para treinar, as árvores com as frutas mais saborosas e até os melhores lugares para brincar sem ser encontrado. Tudo era fácil de lembrar, e, com o tempo, sua memória parecia ficar cada vez melhor. Ele conseguia se lembrar de tudo o que lhe ensinavam, e, aos poucos, tudo estava se tornando fácil demais.
Mas estava tudo bem. Afinal, o fato de ser fácil não tornava as coisas entediantes; apenas mostrava o que ele estava começando a gostar de deixar em evidência para as outras crianças de seu clã. Ser diferente não o tornava um monstro — o tornava superior a elas. E ele sabia que, mesmo que sua irmãzinha não fosse como ele, ela se destacaria entre os demais pelo simples fato de ser sua irmã.
[…]
Quando a noite caiu e as coisas começaram a se acalmar, a última atualização que ele teve sobre sua mãe era que, aos poucos, tudo estava indo bem e que logo ele se tornaria um irmão mais velho. Enquanto isso, ele decidiu voltar para a área externa para brincar sozinho. Foi então que um estranho ar frio se instalou no ambiente repentinamente, seguido de uma neblina misteriosa que vinha da beira da montanha e envolvia tudo ao redor. Aquela mudança brusca no clima deixou o pequeno Gonkuro com um certo medo, enquanto um calafrio percorria sua espinha, quase como se seus sentidos o alertassem sobre o perigo eminente que estava prestes a surgir.
E, quase como se tivesse invocado uma praga naquele momento, uma voz velha, desgastada e grave ecoou da beirada da montanha:
— Depois de tanto tempo tentando descobrir onde os ratinhos haviam se escondido, finalmente os encontrei… Em um lugar tão longe da civilização… Matar seus pais e justificar suas mortes será muito mais fácil. E você… você virá comigo.
Uma sombra envolta na neblina falava, quase como uma entidade irreal, enquanto outros vultos surgiam da névoa, acompanhados do odor de pele apodrecida e grunhidos famintos. Um… dois… dez… vinte…
A cada segundo, aquelas criaturas pareciam aumentar em número, cada vez mais dentro da neblina, com seus olhos fixos no pequeno youkai de cabelos loiros. Gonkuro conseguia sentir a intensão assassina voltada para ele, como se estivessem apenas esperando que ele tentasse fugir para capturá-lo. Essa foi a primeira vez em sua vida que o menino se sentiu verdadeiramente indefeso, sem seus pais por perto para protegê-lo do perigo. Naquele momento, ele sentiu, pela primeira vez, que alguém poderia matá-lo. E, sem ao menos perceber, começou a chorar compulsivamente.
Mas ali em meio às suas lágrimas, enquanto olhava para o chão com medo de dar um passo sequer, ele sentiu uma mão gentil tocando seus cabelos, seguida de uma voz calma e grave, um tanto cansada:
— Você deve ser o Gonkuro. O Li me falou muito sobre você. Não se preocupe, menino. Fique atrás de mim. O tio não vai deixar você se machucar. Afinal, meu esposo parece nutrir um carinho especial por você e sua família.
Quando Gonkuro levantou os olhos novamente, olhando para quem havia entrado à sua frente, deparou-se com as costas de um homem alto, de cabelos castanhos ondulados que chegavam até os ombros. Ele vestia um hanfu simples, de cor azul-escura, que cobria todo o seu corpo abaixo do pescoço.
Em suas mãos, segurava um arco claramente feito com o cuidado de um grande artesão. O arco parecia poder ser facilmente usado tanto como uma arma quanto como um guzheng¹, já que, em suas pontas, havia lindas flores de cerejeiras. O arco possuía vinte e uma cordas, o que comprovava sua dupla utilização. Aquela era, claramente, uma arma que somente seu dono seria capaz de usar com maestria.
— Pela voz que ouvi, imagino que seja você, Kenta, que decidiu invadir minha casa. Que grande erro, imperador humano. Seu pai nunca lhe contou quem são os moradores desse templo? Não me diga que o nome Hayashi Kazuo já foi esquecido. — O homem disse com uma leve risada, enquanto levantava seu arco para o céu, movendo a mão como se fosse armá-lo, mas sem nenhuma flecha visível. Um brilho verde tomou forma, criando uma flecha de luz no arco.
Ao ouvir o nome do arqueiro, as criaturas que estavam paradas, como se esperassem uma ordem, hesitaram por um breve momento. Em seguida, quase ao mesmo tempo, todas partiram em direção a Kazuo. Com uma risada presunçosa, ele soltou sua primeira flecha em direção ao céu. — Foi o que eu imaginei. Muito bem, que a brincadeira comece.
Com suas últimas palavras, a flecha que subiu ao céu emitiu uma explosão de luz, perturbando até mesmo a visão do pequeno Gonkuro. Quando ele recuperou a visão, o homem havia desaparecido. E ali, em meio à névoa, aquelas criaturas que exalavam o odor do submundo eram rapidamente eliminadas, uma após a outra, por explosões de flechas vindas de diferentes direções, seguidas por um rastro verde brilhante na escuridão. Por mais que não conseguisse vê-lo, o menino sabia que aquele brilho pertencia ao homem que havia prometido protegê-lo.
Tudo o que ele ouvia era uma melodia causada pelos disparos rápidos e precisos do arco do homem. Em questão de segundos, aquela horda de criaturas que tentavam alcançar o arqueiro diminuía cada vez mais, caindo ao chão sem deixar nenhum resquício de vida. Aos poucos, todas aquelas coisas pareciam ter finalmente desaparecido. Aparentemente, todas as criaturas haviam sido mortas pelas flechas de Hayashi Kazuo. Naquele momento, Gonkuro finalmente se sentiu relaxado o suficiente para respirar fundo, achando que o perigo havia passado.
Mas, no instante em que relaxou, uma daquelas criaturas com dentes afiados e um cheiro de cadáver surgiu bem à frente, fazendo-o gritar de susto.
Mas, no mesmo instante em que a criatura surgiu, o sangue negro respingou ao rosto de Gonkuro. Três flechas verdes haviam sido cravadas na testa daquela coisa: uma em cada olho e outra diretamente em sua boca. Assim que a criatura caiu, ele finalmente viu o rosto do homem que o estava protegendo. Sua pele era pálida, como a de alguém adoentado, com um olho de cor preta e o outro completamente branco, marcado pela cegueira. Em seu rosto, havia um sorriso gentil.
— Não se preocupe, eu disse que não deixaria você se machucar, e eu nunca quebro minhas promessas. — O homem disse, dando uma risada relaxada, antes de sentir algo se aproximando por suas costas. Ele se virou rapidamente e disparou cinco flechas ao mesmo tempo, em uma velocidade assustadora.
Ao observar o que havia atingido, ele ficou levemente atordoado. Aquela criatura era diferente das outras. Parecia-se com uma kitsune, mas estava morta e emanava uma aura de malícia que assustou até mesmo ao guerreiro experiente. Naquele momento, ele percebeu que não poderia mais agir como se estivesse apenas brincando.
— Como ousa manchar o chão da minha casa com um demônio? — Ele disse com clara irritação em sua voz, direcionando seu arco para a raposa demoníaca. — Muito bem, você pediu por isso.
— Arco sagrado, peço que me permita usar sua força mais uma vez. Em vinte e uma cordas, mais de mil canções posso criar. Em vinte e uma flechas, mil guerreiros posso atingir. Em vinte e uma flechas, um demônio morrerá. — Enquanto entoava suas preces, o arco em suas mãos começou a brilhar em um tom escuro de verde, envolvendo o próprio arqueiro. Em suas cordas, vinte e uma flechas se alinharam, vinte e uma cordas foram puxadas, e um único disparo foi feito.
Com o disparo, a raposa se movimentou rapidamente, como se tentasse fugir das flechas. Mas era estranho: as vinte e umas flechas pareciam persegui-la, independente da direção em que ela tomasse, deixando o pequeno Gonkuro totalmente encantado. Com um sorriso orgulhoso no rosto, Kazuo, sem nenhuma preocupação, respondeu quase que para si mesmo:
— Eu nunca erro uma flecha. Já deveriam saber disso.
E, como se o universo respondesse em concordância, no momento em que ele terminou sua fala, uma flecha após a outra se cravou ao corpo do demônio em forma de raposa, atingindo diferentes pontos vitais. A raposa finalmente caiu ao chão, morta, sem nenhuma outra reação ou sinal de que levantaria novamente. Somente então, a névoa e o vento frio desapareceram, junto com a presença sombria que rondava o local. Quando sentiu que o perigo havia finalmente passado, Kazuo sentou-se no chão, ofegante e cansado pelo gasto excessivo de energia.
— Ah… finalmente acabou. Não precisa mais se preocupar, garoto. Todas essas criaturas estão mortas. Oh, e limpe o sangue do seu rosto. Perdão por tê-lo sujado. — Ele se desculpou enquanto ria, deixando seu arco descansar ao lado.
Gonkuro, por sua vez, nunca havia ficado tão animado em muito tempo. Ele limpou o sangue seco do rosto e correu para olhar o arqueiro de frente, questionando-o com empolgação:
— Você é o arqueiro de quem o Huo-sama falou! Quem é você? Como fez aquilo?! Me ensina?!? — A criança falava rapidamente, quase sem pausa para respirar, fazendo o homem de cabelos ondulados rir com a empolgação do jovenzinho.
— Meu nome é Hayashi Kazuo, mas os mais velhos me conhecem como o Tufão de Fujin, pela velocidade dos meus disparos. Dizem que trago em minhas flechas a bênção do Kami dos ventos, mesmo que ele esteja morto há muito tempo. Além disso, claro, sou o marido do Huo Liming. — Ele disse, levantando a mão onde repousava uma aliança entalhada em madeira, imitando as raízes de uma árvore. Isso fez o pequeno Gonkuro se lembrar rapidamente de ter visto uma extremamente semelhante na mão de Huo.
Ver o anel deixou-o levemente encantado. No fim das contas, o arqueiro incrível sobre o qual havia ouvido falar era ninguém menos que o parceiro de Huo, com quem ele escolheu dividir a vida. Notando isso, o garotinho ficou realmente alegre:
— Uau, o senhor deve realmente ser realmente incrível! Eu quero muito saber mais sobre suas habilidades. O senhor aceitaria algum aluno?!
— Vejo que conheceu meu marido. — A voz de Huo Liming ecoou por trás do garoto, acompanhada por uma brisa rápida de vento. — Parece que estão se dando bem. Mas, pequeno Gonkuro, você deveria ir até sua mãe agora. Não quer conhecer sua irmãzinha? Ela tem lindos cabelos loiros, como os seus.
Ao ouvir a notícia, o menino nem ao menos o respondeu. Apenas olhou para os dois com animação e saiu correndo em direção onde se lembrava que sua mãe estava, pronto para encontrá-la e conhecer sua irmã.
Finalmente sozinhos, Huo Liming olhou para o humano sentado no chão com um sorriso bobo e encantador que ele conhecia tão bem.
— Meu amor, você se forçou demais… Desculpe, eu não esperava que algo assim aconteceria justamente hoje, quando eu tinha um trabalho tão importante para fazer. Você está bem, Kaz? — O homem perguntou, preocupado, ajoelhando-se à frente de seu companheiro e acariciando seu rosto, encostando a testa na dele.
— Li, eu nunca vou deixar de achar fofa a maneira como você se preocupa. Mas não se preocupe excessivamente, meu amado. Um combate desses não é nada comparado aos meus dias na guerra. — O humano disse, tentando acalmar a preocupação no coração de seu amado, enquanto passava os braços pela cintura dele, puxando-o para um abraço e deixando alguns beijos rápidos em seus lábios.
— Não tente me distrair com esses carinhos. É como você disse, isso não é nada comparado aos tempos de guerra, mas você não está mais na guerra há anos, e sua saúde já não é a mesma. O que eu vou fazer se você adoecer ou se machucar, e eu não conseguir cuidar de você?! — Ele expressou sua preocupação em uma súplica abafada, apoiando a cabeça no ombro do guerreiro.
— Não fale assim, meu bem. Você é o melhor médico de toda essa nação de merda. Já ajudou tantas pessoas… Você sempre vai conseguir cuidar de mim. Você sabe disso.
— É, eu sou o melhor médico dessa droga, mas mesmo assim… mesmo assim, não consigo te deixar saudável… Eu não quero te perder, Kazuo… Eu não tenho motivo para viver em um mundo se você não estiver nele. Você é o que me dá forças para voar… Sem você… sem você, eu perco minhas asas, perco meu amor… Então, não se esforce tanto assim… Só me deixe te curar.
— Quando você fala essas coisas, eu realmente não sei o que fazer, sabia? Eu também não quero te deixar, Huo… Mas a cura que conhecemos é algo que não posso aceitar. Então, por favor, não chore… Deixe-me te amar até meu último suspiro, e torçamos para que isso demore bastante. Afinal… há tantas coisas que ainda quero fazer com você, garoto bobo. Vamos nos levantar e nos livrar desses corpos, o que acha? — Ele propôs, beijando o alto da cabeça de seu amado, até que ele finalmente o olhou, revelando olhos vermelhos pelas lágrimas que havia derramado.
— Eu te amo, Hayashi Kazuo. — O futuro segundo general disse em um suspiro profundo, se levantado e oferecendo a mão para ao parceiro para ajudá-lo a se levantar.
O humano pegou a mão do fenghuang e se levantou, puxando-o para outro abraço, mas agora em um beijo lento e demorado. Seus lábios se envolveram, e sua língua explorou a boca que tanto havia se acostumado a beijar, mas a cada beijo parecia a primeira vez, mesmo após vinte e cinco longos anos de casados.
— Eu também te amo de toda a minha alma, Huo Liming. — Ele respondeu, finalmente afastando seus lábios. E, enfim, começaram a limpeza do local.
Os dois trabalharam por um longo tempo, carregando juntos os corpos das criaturas que haviam aparecido na montanha até a sua beira e os jogando dali, um por um, sem muito cuidado. De vez em quando, ainda se sujavam com o sangue que escorria daquelas coisas, mas mesmo assim continuaram jogando corpo após corpo do alto da montanha, repetidamente, como se fosse uma tarefa interminável.
O último corpo que carregaram juntos foi o da kitsune demoníaca que havia aparecido no local. Ambos sabiam que teriam que prestar explicações às raposas sobre o corpo de uma kitsune apodrecido sendo jogado do alto do templo deles, mas, no momento, preferiam não pensar muito nisso. Ainda teriam algum tempo para descansar.
A última coisa que Huo fez foi usar suas asas para levar o cheiro dos mortos para longe com uma brisa do vento. Com o término da limpeza, tanto ele quanto Kazuo estavam igualmente sujos pelo sangue daquelas criaturas, com suas roupas manchadas e aquele odor insuportável impregnado nelas.
— Baobei², acho que teremos que queimar essas roupas… Mas enfim, nós dois precisamos de um banho… Estamos sujos… Por que não pegamos umas toalhas, algumas mudas de roupas e vamos para as termas nas montanhas maiores? Hehe. — Kazuo propôs com um sorriso um tanto quanto pervertido. Claramente, ele estava sugerindo muito mais do que apenas um simples banho nas águas termais.
A proposta fez as asas de Huo baterem rapidamente com a ideia de irem para as termas juntos. — Sabe, às vezes, quando você faz essas propostas, Xiao Gou³, você realmente se parece com um cachorro esperto… Eu vou pegar as toalhas e as roupas. Me espera aqui.
O homem rapidamente foi ao quarto dele e de seu amado, quase correndo apressadamente. Chegando ao grande quarto espaçoso e confortável, repleto de vida e cores, ele pegou duas grandes toalhas e dois pares de roupas que mais se pareciam a pijamas largos e confortáveis. Enquanto saía do quarto, um sorriso iluminava seu rosto. Ele então olhou para a porta bem à frente a seu quarto. Ele e Kazuo haviam construído aquele quarto juntos, com a esperança de um dia poderem ter um local para sua própria criança, por mais irreal que isso pudesse parecer.
Ainda assim, aquela ideia que aquecia seu coração sempre que ele olhava para aquela porta. Com um sorriso, ele saiu em direção à área exterior. Kazuo esperava embaixo de uma árvore, tendo deixado seu arco ali sem preocupações. Ele sabia que ninguém mais conseguiria voltar.
Com Huo de volta, ele pegou as toalhas e as mudas de roupas das mãos de seu esposo, que o abraçou fortemente contra si. Suas asas batiam rapidamente em suas costas enquanto voavam em direção a uma montanha mais à frente, ainda mais distante do chão. Eles pousaram na beira de uma piscina natural de águas quentes. Huo primeiro soltou Kazuo, que se virou e levou as roupas e a toalha para uma pedra um pouco distante da água.
Quando se virou novamente em direção à água, Liming já havia retirado a parte inferior de seu hanfu, estando completamente nu da cintura para baixo. Sua bunda bem definida estava exposta, assim como suas pernas delicadas e completamente lisas. Kazuo já havia perdido as contas de quantas vezes se perdeu admirando aquele corpo, mas cada vez era ainda mais excitante. Nesse momento, Liming já havia tirado a parte superior do hanfu até o meio de suas costas, virando seu olhar para Kazuo, que o observava como se estivesse assistindo a um espetáculo.
— Kazuo~, pare de me devorar com os olhos e tire a roupa. Vou te esperar na água. Mexa essas pernas e venha logo! — Ele provocou em meio a uma risada, deixando a parte superior do hanfu cair no chão. Finalmente, ele adentrou a água, com seu corpo puro e sensual completamente exposto, movendo-se até o outro lado da piscina natural. Apoiou-se na borda com os braços e olhou para seu amado com certo desejo em seu olhar.
O homem quase caiu ao ouvir o chamado de seu amado, sentindo seus cabelos se arrepiarem e o volume em sua calça se endurecer. Em questão de segundos, ele já estava completamente sem roupas, entrando na água com um mergulho e desaparecendo da superfície por um momento. Ele reapareceu aos poucos, bem à frente de Huo. Suas mãos subiram pela perna do homem, pousando em um aperto firme em sua bunda, enquanto seu rosto emergiu, lambendo a barriga dele e movendo os lábios até seus seios, deixando um leve chupão. Ele ouviu Huo gemer roucamente sob seus toques, ficando cada vez mais excitado.
Finalmente, ele deixou beijos no pescoço de seu amado.
— Porra… você me deixa louco me chamando desse jeito… com esse corpo… Você sabe como me fazer perder o controle, Liming~
— E você sabe como me agradar… seja no amor ou no sexo. — Ele disse em meio a um suspiro, envolvendo as pernas em volta da cintura de Kazuo. Deslizou as mãos sobre as costas dele e levou sua boca ao pescoço, distribuindo beijos e chupões enquanto ria suavemente ao ouvir os suspiros de excitação de seu marido.
— Li… eu também sei jogar esse jogo, passarinho… Eu sei te fazer soltar a voz sem ser para cantar. — Ele disse em meio a uma risada um tanto sacana, movendo dois de seus dedos para o interior do homem alado. Em uma reação instantânea ao toque íntimo, Huo soltou um alto gemido, enquanto suas asas praticamente saltaram de suas costas, abrindo-se completamente.
Seus gemidos oscilavam, abafados enquanto ele afundava os dentes nos ombros de seu marido. Sentia os dedos de Kazuo abri-lo e relaxá-lo, adentrando fundo em seu interior. Quando menos esperava, mais um dedo foi adicionado, fazendo-o engasgar em meio a um gemido. A sensação dos dedos de Kazuo explorando-o, alargando-o, preparando-o, roçando contra suas paredes internas, tudo o deixava duro e ainda mais excitado. Ele esfregava seu próprio comprimento contra o abdômen de seu amante, perdendo-se completamente naquela mistura de prazer e desejo.
Quando sentiu que já havia relaxado Huo o suficiente, preparando-o adequadamente, Kazuo sorriu, ansioso com antecipação, e colocou o rosto contra o peito de Huo. Com uma risada ansiosa ele sussurrou:
— Eu quero entrar agora… eu posso amor~?
— Só… vamos sair da água… É estranho… é quente… — Ele reclamou, sentindo-se um tanto desconfortável. Eles já haviam feito em lugares assim outras vezes, mas a sensação da água quente dentro dele ainda era estranha…
— Eu sei que tá quente, passarinho… Mas eu posso deixar mais… Vai se gostoso… E se você não gostar, a gente sai e continua lá fora, pode ser…? — Ele propôs, segurando o rosto do seu esposo com uma mão enquanto a outra continuava a agarrar sua bunda.
— Hm… não… É muito grande, e dentro da água é estranho… Vamos sair, por favor~ — Huo pediu, e, obedecendo prontamente, Kazuo se afastou e saiu da piscina, sentando-se na beirada com seu corpo molhado totalmente exposto. Seu comprimento grosso estava completamente endurecido.
— Tudo bem, amor. Vem sentar aqui. Eu vou entrar bem fundo, do jeitinho que você gosta. — Ele chamou, com uma provocação clara em sua voz, dando dois tapinhas na própria coxa.
Em vez de sair como Kazuo havia feito, subindo rapidamente para se sentar na beirada, Huo optou por sair por onde havia entrado. Afinal, ele não teria força suficiente para sair por ali com suas asas molhadas, exigindo um esforço que ele não tinha naquele momento. Então, após sair das águas, ele caminhou até seu marido, sentando-se contra seu volume, que roçava bem contra sua entrada a cada movimento coordenado pelas mãos de Kazuo.
— Então, agora eu posso entrar, ou vou ter que sujar suas costas primeiro, amor~?
Huo não respondeu, apenas assentiu com sua cabeça, escondendo-a no peito de Kazuo. Com o consentimento de seu querido esposo, Kazuo direcionou-se à entrada dele, entrando aos poucos em movimentos coordenados, usando as mãos para ajudar Liming a rebolar. Ambos gemiam cada vez mais a cada vez que Kazuo se aprofundava no interior de Liming, até que finalmente, Liming o tomou por completo, arrancando um grunhido alto de Kazuo.
— Caralho, você engoliu tudinho com essa bundinha… Aah… Eu amo fazer isso com você, Li… Quando a hora chegar, eu vou morrer feliz sabendo que fui o único a te ver assim… O respeitável imperador das aves engolindo completamente seu marido com essa bundinha linda.
E ali, em meio a uma série de provocações de Kazuo, Huo Liming se viu completamente vermelho de vergonha, enquanto soltava gemidos baixos e começava a se mover acima dele. Entre gemidos, um sorriso de prazer se formava em seu rosto. Por mais que Kazuo o provocasse, estava tudo bem. No final das contas, ele só faria o que gostaria que fosse feito. Aos poucos, intensificando seus movimentos, eles passariam uma boa parte da noite restante ali, à beira das termas, com Kazuo sendo cavalgado por Huo.
O som dos gemidos e dos tapas de Kazuo contra a bunda de Huo Liming ecoava pelo local. Quando finalmente terminaram e se limparam, com Huo tendo seu interior totalmente lavado por Kazuo, eles se secaram e vestiram roupas limpas. Ambos estavam cansados, mas relaxados pela diversão em conjunto. Voltaram para o quarto e dormiram até a tarde do dia seguinte.
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1 – guzheng: é um tipo de cítara, com 21 cordas esticadas em uma estrutura de madeira. Seu tampo arredondado serve de caixa de ressonância.
2 – Baobei: para aqueles que já leram erha já estão acostumados com essa palavra, significa algo como bebê/querido.
3 – Xiao Gou: É um apelido carinhoso usado entre casais, significa basicamente cachorrinho.
Uma das peculiaridades do guzheng são as pontes ou suportes móveis para as cordas. Desse modo, o instrumentista pode customizar a afinação conforme a música tocada. Ele pode produzir sons suaves, mas também um timbre com ímpeto majestoso.
Notas do autor: Aos curiosos, o Kazuo tem 1,95 cm, e o Huo Liming 1,70 cm, ambos eretos, enfim espero que tenham gostado, de conhecer o maridinho do Huo, e saber mais sobre o passado dele.
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