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Indigno de Amar

O barco onde estou, desliza tranquilamente pelas águas do rio naquela hora fresca do crepúsculo*. Pássaros voavam pelo céu, indo em busca de seus ninhos, fazendo dele um espetáculo muito bonito e cheio de graça. As lanternas acessas, nas ruas, casas, restaurantes e comércios, iluminavam e refletiam nas águas, dando brilho e beleza para o cenário à minha volta. À ponte, era um destaque por si só. Ela era construída com o mais puro jade branco e escupidas com runas, enfeitadas por belos detalhes dourados. Algumas pessoas estavam sobre ela, em um vai e vêm infinito. Outras contemplava as águas do rio, que parecia um espelho, refletindo tudo nelas. Assim como eu, algumas pessoas tiveram a ideia de alugar barcos para curtir essa hora tão mágica. Mendigos, estavam sentados na escada que dava acesso à ponte e as ruas. Alguns já dorminham bêbados. Garrafas estavam espalhadas por todo lugar.
Todos estavam muito bem vestidos e acompanhados por seus amantes, esposas, namorados…
Apenas eu estava sozinhos com as minhas recordações dolorosas, de um tempo que quero muito apagar da minha mente. Esse tempo me enchia de vergonha.
Esquecer algo que te machucou profundamente, fosse tão fácil, eu não estaria aqui, com meu coração cheio de ódio e desejo de vingança. Esquecer algo assim, era impossível. Assim, eu pensava, em meio a tanta dor, durante esses anos. No entanto, queria muito encontrar uma receita para esse fim. Vendê-la para pessoas que sofrem do mesmo mal que eu e ganhar algum dinheiro com ela.
Respirei fundo e trinquei os dentes para aplacar a dor que sentia em meu peito. Um resquício do que eu queria arrancar da minha mente, alma e coração.
Ainda lembro-me que foi aqui que eu o conheci há dois anos atrás. Eu tinha apenas dezesseis anos. Por minha beleza e educação, eu era conhecido como a beleza número um de todo o império Tang. Era invejado e cobiçado por inúmeras pessoas e acabei caindo nas mãos de alguém que nunca valorizou meu amor ou minha pessoa. Eu era apenas um troféu ou um cofre cheio de grana para seu uso.


Nossos caminhos se cruzaram, devido a um festival de primavera, onde desejei do fundo do meu coração, encontrar alguém para amar. E realmente ele veio a mim… Não para me amar, mas para destruir e humilhar.
Foi nessa mesma hora, dia e lugar…
Tudo aqui me fazia lembrar dele… que nojo!
A ponte, as ruas, as casas de chá, hospedarias, o rio, tudo foi o cenário de um amor malfadado e doloroso. Nesse caso, só meu…
E também foi nesse lugar, que eu quis colocar fim a tudo, enquanto fugia mortalmente ferido e humilhado da mansão da família dele. Quase tirei a minha vida e fui salvo por alguém, tão ferido quanto eu. Nunca quis saber da história dele. Velhas feridas devem permanecer escondidas para não arrebentarem.
Nunca imaginei que pudesse ter me enganado tanto com alguém, como esse amante que escolhi para mim. Eu o amava com todo meu coração(achava), mas recebi a amarga traição e fui cruelmente abandonado, por não ser mais útil para ele. Aprendi e senti na pele o que era ser usado e jogado fora, sem piedade e perder tudo ao mesmo tempo.


Eu sou Yin Chang, filho de um rico comerciante imperial e herdeiro direto da família Yin. Acabei me apaixonando perdidamente pelo filho do ministro de esquerda, inimigo do meu pai, Jin Lian, um homem muito ambicioso, mesquinho e cruel, coisa que vim a descobrir depois
No começo, Jin Lian me deu o paraíso com o “amor” que ele demostrava por mim. Suas palavras doces, me encantavam a cada dia, a tal ponto de que eu não podia mais viver longe dele. Quando ele me disse que queria casar comigo, quase desmaiei de alegria.
Tolo!

Fui um tolo e idiota por acreditar em alguém que dizia que me amava, enquanto me traia pelas costas com meu melhor amigo, Yan Quon. Se é que posso chamar aquele lixo de amigo. Quando descobri, já era tarde demais.
Yan Quon e eu, éramos amigos de infância e inseparáveis. Ele morava mais na minha casa do que na dele. Nossas famílias eram amigas e aliadas de longa data. Não era surpresa que tratei o herdeiro Yan Quon, como se fosse meu irmão de sangue. Sem sabermos, nossas família já planejavam uma aliança de casamento entre nós dois. Lembrava-me que eu o nunca tratei mal. Sempre dividia igualmente tudo o que eu tinha. Ás vezes, dava muito mais do que recebia para ele. Sem saber, estava alimentando uma cobra. No fim, ela me mordeu de uma maneira bem dolorosa. Essa eu nunca iria esquecer. Chamas de raiva, fez o sangue querer subir pela minha garganta, mas o suprimi com esforço. Algumas gotas, escaparam pelos meus dentes e escorreu pelo canto da minha boca. Tive que cuspir no final. Engolir esse sangue, só me faria mal.
Fecho meus olhos para vê se consigo conter a minha dor. Aperto os punhos tão fortemente e sinto as unhas rasgar a carne das palmas das minhas mãos.
Só de imaginar que Jin Lian, a maneira como ele se declarou para mim e ao mesmo tempo para outra pessoa, me enojava. Ainda bem que escapei de entregar meu corpo para ele quando pediu. Insistiu tanto que quase sucumbi aos seus desejos. Resisti no final. Percebi que ele estava com muita raiva pela minha rejeição. Acabei dizendo para ele que, quando nos casarmos, teríamos a vida inteira para fazer aquilo.


À noite caiu que nem percebi. Uma brisa fresca, acariciava minhas bochechas quentes.
Alguns jovens, lançavam olhares curiosos para mim. Como se perguntasse, o por quê de uma beleza está sozinha, nesse dia tão mágico.
O guia do barco, um guarda, lançava olhares frios para eles. Intimidados, olhavam para o outro lado.
Eu estava divagando em lembranças dolorosas que cortavam minha alma, carne e coração. Quando levantei os olhos, um casal sobre a ponte, brilhavam mais que as lanternas das casas, lojas, ruas… refletidos lindamente nas águas.
De longe, reconheci esse par de amantes. Lágrimas fugidias deslizaram pelo meu rosto.
Eram eles! Os dois traidores que fizeram-me perder tudo, até minha dignidade e ser expulso de casa sem nenhum vintém.
Eles estavam brigando. Já era de se esperar. Jin Lian, descartava, algo que não mais era útil para ele.
Meu pai havia descoberto nosso romance naquela época e foi contra. Com raiva, meu pai me deu duas escolhas: a família ou meu amante. Eu, tolo, escolhi Jin Lian. Pensava sinceramente que ele nunca me abandonaria. Juntei as poucas coisas que me foram dadas por minha “mãe”, concubina, atual esposa do meu pai, que me odiava, fingindo chorar sem consolo. Nem vi seu olhar zombeteiro, dirigido a mim.
Parti, sem mesmo olhar para trás. Mesmo sem Jin Lian, eu faria a mesma escolha. Aquela casa, que era a única que eu conhecia, já não me cabia. A escolha que meu pai obrigou-me a fazer, só mostrava que não tinha mais amor paternal em relação a mim. Eu realmente não possuía nada, nem mesmo uma família.
Então, perdi o pouco que pensava possuir…


Quando coloquei os pés na mansão Jin, notei que vários criados me olhavam com pena, alguns com zombaria no olhar.
As notícias da minha expulsão já havia viajado por toda capital como um foguete. Eu era motivo de piada por todos.
Ignorando cada um deles, fui diretamente para o pátio Jin Lian. Assim que aproximei, seu criado pessoal tentou me impedir de entrar. Senti que algo estava muito errado e eu queria descobrir o que era. Para meu horror, gemidos suspeitos eram ouvidos atrás da porta fechada. Eu enlouqueci nessa hora. Joguei o criado longe e forcei a entrada. A cena que vi fez meu corpo inteiro congelar de choque. Meu melhor amigo e Jin Lian, estavam emaranhados em uma tórrida cena de sexo, digamos bem selvagem. Meu coração se partiu e fiquei mudo.
Yan Quon, foi o primeiro a me ver.
_ Yin Chang… _ balbuciou e gemeu ao mesmo tempo de prazer, com traços de medo em seu rosto vermelho.
_ Como vocês puderam fazer isso comigo? _ gritei.
Meu mundinho ruiu.
Jin Lian me ignorou e continuou a foder o amante, sem se importar comigo.
_ Jin Lian, _ eu o encarei nesse momento com lágrimas caindo pelo meu rosto bonito. _ eu troquei minha família por você! É esse o pagamento que recebo?
Um bufo frio é dado por Jin Lian.
_ Cai fora! _ grita Jin Lian, continuando o ato.
_ Jin Lian! Você disse que casaria comigo! Porquê tudo isso?
Quando Jin Lian acabou o ato, enrolou Yan Quon no lençol, com todo cuidado. Isso me doeu tanto… Nu e suado, ele se encaminha para mim. Confesso que eu estava babando, olhando para aquele corpo. De fato, Jin Lian era um dos homens mais bonitos da capital. Ele só perdia para mim em termo de beleza. Mas, eu não estava preparado para a escuridão nos corações das pessoas. Acabei caindo num conto do vigário. Perdi tudo por amor, em minha ingenuidade. Recebi um um tapa no meu rosto que me faz cair no chão e acordei para a dura realidade. Meu rosto pegou fogo de dor e vergonha. Doía muito. Senti um filete de sangue escorrer pelo canto da minha boca machucada.
Ouvi Yan Quon rir com alegria. Meu coração doeu mais do que esse tapa que recebi da pessoa que amava.
_ Por quê? _ perguntei.
_ Quer saber?
_ Sim.
_ Yin Chang, eu nunca te amei. Apenas te usei para conseguir subir na minha carreira. Com você do meu lado, consegui me tornar um ministro de direita e tenho ainda o token, entregue pessoalmente pelo imperador, para comandar uma boa parte do exército. A pessoa que eu realmente amo é, Yan Quon. Você não digno do meu amor e nunca será!
Cada palavra que ele me dizia, era como se uma faca me cortasse por dentro.
_ Então, _ ele me olhar cruelmente. _ não preciso mais de você.
Eu tentei respirar nessa hora, mas foi impossível. Meu peito estava apertado. Corri loucamente para rasgar o rosto de Yan Quon e desabafar minha raiva.

Yan Quon estava zombando de meu infortúnio. Fui chutado por Jin Lian e os criados me espancaram e me jogaram fora da mansão na rua movimenta. Percebi que isso tudo foi bem planejado. Desde a minha expulsão da mansão, até esse momento vergonhoso. Ambos não queria que eu não conseguisse levantara a cabeça nunca mais na capital.

E conseguiram!
Naquela hora, várias pessoas apontaram o dedo para mim e riam. Ouvi meu nome ser citado um monte de vezes e me chamavam de nomes que eu quero esquecer. Eu estava entorpecido de dor, vergonha. Essa humilhação foi demais para mim. Juntei as poucas forças que ainda restavam em meu corpo, corri como louco pelas ruas e me joguei nas águas tranquilas do rio, que cruzava a capital. Eu só queria morrer. Eu havia perdido tudo por amar alguém tão indigno dos meus mais sinceros sentimentos. Aquelas águas, como se fossem meus velhos amigos, me engoliram. Eu estava disposto a morrer, só para esquecer esse dia tão miserável e esse homem cruel. Meus pulmões por falta de oxigênio, explodiam de dor.
Olhei para cima, mesmo com as águas turvas, vi um barco deslizar sobre minha cabeça, precisamente de baixo daquela ponte, onde muitas vezes, trocamos beijos e carícias. Vi uma pessoa que não conseguia identificar, pular no rio. Quando me localizou, pegou meu braço, arrastando-me para seu corpo. Eu já estava prestes a dar meu último fôlego e morrer afogado. Minha cintura foi prensada por um braço forte, enquanto a mão dessa pessoa, puxava minha cabeça em direção ao seu rosto. Lábios forçaram-me a abrir minha boca e ar foi bombardeado para dentro de mim.
Na hora da morte, todos nós têmos uma espécie de rompante de sabedoria, uma iluminação tardia. Esse foi o meu caso. O que eu sentia por Jin Lian, foi apenas um amor unilateral e talvez uma paixonite de adolescente que acabou da pior maneira. Essa pessoa que me abraçava e que eu nem conseguia ver seu rosto, era meu salvador. Eu devia a minha vida a ela. Decidi que, desse dia em diante, faria de tudo para retribuir esse favor. Essa pessoa havia se tornado minha casa, já que eu não tinha mais uma. Compreendi tarde demais que fui usado e traído da pior maneira, por meu amigo, amante e talvez, minha  família. Essa vergonha e humilhação que sofri nas mãos daqueles dois, eu iria cobrar de volta.
Sou arrastado para cima, por aquela pessoa e entregado à outra que me coloca no chão do barco.
Eu estava em um estado lamentável. Meu corpo inteiro estava muito ferido, assim como meu coração e alma.
Tentei de todas as formas agradecer por salvar minha vida inútil, mas não consegui. Nem conseguia abrir os olhos, quanto mais falar.
Antes de desmaiar, ainda ouvi a conversa entre aquelas duas pessoas:
_ Sua Alteza, está bem? Este servo deveria ter pulado na água e resgatado o jovem, meu Senhor.
O homem mais velho, um servo, olha para a pessoa desmaiada no chão do do barco e diz com preocupação:
_ Esse jovem está muito ferido, meu Senhor. Talvez nem sobreviva.
Um olhar frio dado por seu mestre, o fez calar a boca.
_ Vamos para uma hospedaria mais próxima. Chame um médico o mais rápido possível.
_ Como ordenar sua Alteza.
O barco ancorou bem perto das escacadas. O homem pega o jovem que não pesava muito e correu escadas a cima…


Quando eu acordei, estava deitado em uma enorme cama, completamente nu. Não sabia quanto tempo estava ali. Apenas um lençol me cobria. E nesse momento, o lençol fazia um montinho aos meus pés, mostrando todo meu corpo delicado.
Se alguém de fora o visse desse jeito, muitos nariz sangrariam. Nesse momento, Yin Chang era a obra da mais pura beleza e muito sexy que alguém já colocou os olhos.
Estava num quarto de uma hospedaria que eu conhecia muito bem. Ela me pertencia. Minha família nunca descobriu que eu tinha uma enorme fortuna pessoal, duas vezes maior do que a que pertencia aos Yin. Talvez até maior do que a fortuna da família real. Eu era realmente um gênio. Alguns pessoas de confiança que sabiam do meu segredo, diziam que eu tinha o toque de Midas. Tudo o que eu tocava, tornava-se muito rentável. Se meu pai soubesse, faria de tudo para colocar as mãos nela, assim como sua concubina, aquela cadela, para dá ao seu filho. Descobri que minha mãe morreu por suas mãos e ela tomou seu lugar. Meu pai nunca fez nada para puni-la. Nunca contei nem para Yan Quon esse segredo. Se eu tivesse contado, talvez meu destino tivesse sido morrer nas mãos daqueles monstros e meu suor roubado.
Escuto passos no corredor. Tento erguer meu corpo para pegar o lençol e me cobrir. Senti que cada parte do meu corpo, reclamar de desconforto.
Aqueles servos da mansão Jin, fizeram um ótimo trabalho. Eu ergui o canto da boca com sacarmos. Eles me pagariam por tudo, jurei.
A porta fechada, se abre, dando passagem a um homem muito bonito, vestido com roupas roxas muito luxuosas. Essa cor fazia sua pele se destacar. Eu fiquei de boca aberta, admirando uma criatura tão bonita. Jin Lian era realmente bonito. Comparado a esse que está à minha frente, era apenas um lixo. Esse homem era muito alto. Acho que eu alcançaria seu peito e olhe lá. Músculos espelhado por todo seu corpo de forma uniforme. Cabelos castanhos, olhos negros profundos como um abismo, sobrancelhas arqueadas de forma perfeita, nariz empinado orgulhosamente, boca carnuda e vermelha, escondia uma fileira de dentes brancos perolados. Sua pele era levemente bronzeada, sinal claro que ele gostava de ficar ao sol.
_ Gostou do que viu?
Sua voz era rouca e ao mesmo tempo sexy. Sinto meu corpo tremer por inteiro. Recostei-me nos travesseiros para me sentir mais confortável e parar de babar.
Meu rosto um tanto pálido, corou, tornando-me muito adorável.
Do mesmo modo que eu o avaliei, ele me avaliava também. Cada parte do meu corpo que ele olhava, eu sentia coceira e ao mesmo tempo calor. Eu estava com muita vergonha. Meu corpo magro, era delicado demais. Nunca fui adepto de fazer exercícios físicos. Por isso, não havia um músculo se quer em mim. Com esforço, peguei a ponta do lençol e me cobri de todo jeito.
Vi em seus olhos, descontentamento com meu ato.
Respirei fundo e falei:
_ Qual nome de sua graça para que eu possa agradecer devidamente?
_ Não importa meu nome. De hoje em diante, mestre Yin, você só me pertence e a ninguém mais.
Minha boca se escancarou, fazendo-me aos olhos daquele homem possessivo, muito sexy. Sua vontade era devorar aquela pessoa à sua frente.
_ Não pertenço mais a família Yin. Fui expuls…
_ Cale-se!
Eu o olhei com medo. Senti um frio se instalar no quarto naquele momento. Sabia que havia algo errado e não sabia o que era.
_ Aquele idiota que foi seu amante e a família Yin, tem um dívida de sangue para me pagar. Só deixarei os inocentes de fora. O resto…
Ele não completou a frase e nem precisava. Eu já sabia de tudo.
Arregalei os olhos. O homem se aproxima da cama, puxa o lençol, descobrindo todo meu corpo. Seu olhos avaliava cada parte minha. Seus olhos demoraram mais em minha parte íntima. Minha pele da cor de trigo, estava arrepiada. Tentei dobrar minhas pernas longas e retas para esconder aquela parte. Nesse olhar, eu vi fome e sede. Estremeci com frio. Ele pega meu queixo e faz-me encará-lo.
_ E você, querido, _ ele sussurra em meu ouvido. _ vai ser meu amado consorte. Esqueça Jin Lian. Ele morrerá em minhas mãos mais cedo ou mais tarde. Mas antes, o farei sofrer um bocado. Prepare-se! Logo, iremos nos casar. E nunca, nunca esqueça, você pertence a mim!
Quando ele para de falar, sua boca cobre a minha sem que eu pudesse me defender. Sua língua invadiu minha boca, enquanto mãos bobas passeavam por todo meus corpo, indo para uma parte que já estava muito animada, com todos esses toques.
Tentei empurrá-lo, mas meus braços foram contidos acima da minha cabeça. Eu gemi de dor. Uma de suas mãos, agarraram aquela parte e começou a massageá-la. Sua boca retirava meu fôlego. Eu engasgava com sua língua em minha boca. Ele não teve piedade de mim. Em dado momento, sem ar, desmaiei.
Aquela pessoa, ficou muito descontente. Ainda seguravam aquela parte em suas mãos que nesse momento, amolecia.


Quando acordei depois de um dia cansativo, já era quase noite.
Logo o crepúsculo chegaria…
Essa era a hora mais dolorida para mim.
Não sei quantas dias, havia se passado. Eu estava trancado naquele lugar, sem poder sair. Apenas os meus funcionários tinham permissão de entrar, quando eram solicitados por mim. Isso aconteceu, depois que eu implorei muito. Parecia que eu era um prisioneiro. A diferença entre mim e esses prisioneiros, era que eu era bem tratado, embora sem liberdade. Fiquei sob os cuidados de vários criados que me mimavam de todas as maneiras.
Desde aquele dia que fui quase devorado por aquela pessoa, nunca mais nos encontramos. Respirei aliviado. Não sabia como enfrentá-lo.


Além de cuidar dos meus negócios, passei a também cuidar dos dele, tornando-o cada dia mais rico.
Certo dia, um eunuco do palácio veio me visitar e trouxe os negócios da família real para que eu cuidasse. Eu aceitei. Faria qualquer coisa para ficar com a mente ocupada e esquecer por um momento, a dor que carregava.
E assim, os dias, meses, foram se passando.

Cinco meses passaram-se em um piscar de olhos. Tudo isso era indiferente a mim, pois eu não tinha notícias do que acontecia lá fora e meus funcionários eram proibidos de dizer qualquer coisa. Isso a exigência do dono do lugar e meu salvador. Não tinha o que reclamar. Aceitei os termos dele, desde que eu morava sob seu teto.
Nunca soube que Jin Lian e Yan Quon haviam se casado. Só descobri quando tudo já estava consumado. Ainda mais chocante, foi descobrir que meu pai havia casado meu irmão com o filho da família Lu, desconhecido até para mim.
Imaginei que eu sofreria com isso. Mas a realidade foi bem diferente. Sofria apenas a dor da traição, não outra coisa. De alguma maneira, eu estava superando o que sentia por Jin Lian. Ficar à beira da morte, abria os olhos da pessoa que por ventura, escapasse dela. Esse é meu caso. Acho que nunca o amei verdadeiramente. Foi apenas um ilusão, causado pela solidão que me rodeava. Nesse caso, eu queria encontrar alguém para ocupar o vazio que estava em meu peito.


Certa manhã, acordei com o sol aquecendo meu rosto. Um criado havia aberto a janela com a intenção de me acordar. Eu bocejei, fazendo minha pessoa inteira brilhar.
O criado desviou os olhos. Ele não queria morrer nas mãos do seu mestre. Esse homem deslumbrante na cama, era sua escala reversa. Quem ousar tocar nele, morreria da pior maneira.
_ Perdão, mestre Yin. Meu mestre nos pediu que o acordássemos para banhá-lo e vesti-lo para o casamento, logo mais à noite.
A palavra “casamento” me fez arregalar os olhos. Havia esquecido, que aquele homem, me queria como seu consorte. Eu assenti. Sabia que não havia escapatória para mim. Logo eu faria dezessete anos e não tinha mais família ou amigos, nada…
E nesses poucos meses que passei nessa gaiola de ouro, nunca fui tratado injustamente. Tudo o que que eu queria, estava em minhas mãos. Só era vetada a minha liberdade. Suspeitei que era para o bem da minha sanidade mental. Agradeci de coração a essa pessoa.
Recebi inúmeros presentes do palácio por minha contribuição a noção. Até o imperador Feng LongWei, havia me presenteado com joias e terras, em agradecimento por tornar os cofres do império Tang mais cheios.


Meu dia foi muito corrido. Costureiras vieram para o pátio onde eu estava, com inúmeros tecidos vermelhos, cada um mais lindo do que outro. Seus bordados, brilhavam intensamente, quando refletidos pela luz do sol, que entravam pelas janelas. Caixas e mais caixas de joias e enfeiteis luxuosos e requintados, foram colocados na sala do meu pátio, presente do meu noivo. Várias mulheres, estavam em meu quarto, correndo de um lado a outro, onde fui obrigado a passar o dia inteiro, experimentando todas as peças que eram feitas com aqueles tecidos. Exausto, acabei adormecendo sentado. Nem percebi que alguém me colocava em seus braços e me depositava na cama com todo cuidado. Um beijo casto foi depositado em minha testa.



Quando acordei, olhei à minha volta e percebi que já era tarde. Eu me espreguicei na cama languidamente. Meus ossos estalaram.
Nesse lugar, eu só fazia curar meu corpo e administrar meus negócios que corriam muito bem, assim como os outros que foram entregues a mim.
Tentei dá uma parte dos meus lucros para aquela pessoa que me ignorou completamente. Em sua boca, a única coisa que eu ouvia era:“meu amado consorte”.
Eu examinei meu corpo e vi que alguém havia me vestido com roupas luxuosas vermelhas. Já suspeitava quem era a pessoa. Mas no momento, não queria pensar muito. Era uma daquelas que eu estava experimentando pela manhã. Parecia roupas da corte e não de casamento, pelos detalhes e requinte dela. Se fosse de outra cor, eu seria confundido com um ministro ou talvez com um príncipe muito importante dessa nação ou de um país vizinho. Em meus dedos, havia anéis de ouro, cravejados com pedras preciosas. Correntes de ouros entrelaçadas, enfeitava meu pescoço, assim como lindas pulseiras. Em meu tornozelo delicado, uma linda tornozeleira se destacava. Ela era um intricado perfeito entre simplicidade e luxo. Fui até um espelho em cima de uma comoda e me olhei. Eu estava muito deslumbrante. Um pequeno brinco, se destacava em minha orelha, chamando a atenção para os meus olhos, castanhos e brilhantes, como a luz do sol. A cor vermelha da minha roupa, só fazia acentua minha beleza.
A porta se abre e dois criados entram, me tirando do transe. Traziam em suas mãos, um véu vermelho. Eles cobriram minha cabeça e me arrastaram para fora. Uma carruagem já me esperava. Dentro dela, aquele homem me esperava, lindamente vestido de vermelho. Ele me olhava com aqueles olhos vorazes e quentes. Eu não disse uma palavras.

Ele também não.

Seus olhos nunca deixaram meu corpo. Desviei o olhar e baixei a cabeça.

Na verdade, eu estava desconfortável. Eu prometi que retribuiria a pessoa que me salvou da morte. Mas essa pessoa à minha frente, não o entendia e muito menos o ele que queria. Nem seu nome eu sabia. Apenas o “Alteza” que ouvi naquele dia, suspeitava que ele pertencia a família real. Eu estava impotente e não sabia o que fazer a seguir. Perdi-me em pensamentos.


Quando a carruagem parou, vi pela janela que o criado abriu, que estava parada sobre aquela ponte, bem conhecida minha. Nesse momento, a ponte estava decorada, assim como as ruas, com lanternas vermelhas e acessas em todos os lugares que eu podia ver. Sabia-se que haveria um casamento naquele lugar, pela decoração festiva e bonita. Esse lugar era bem famoso por seus casamentos duradouros. E essa era a hora auspiciosa, escolhida por todos os noivos.
Havia várias pessoas importantes que fazia parte da corte e meu pai e Jin Lian estava entre eles, espalhadas aqui e ali, em um canto bem iluminado, sentados nas mesas espalhadas pelas ruas fechadas pela guarda imperial..
Eu estremeci.
O homem à minha frente, percebeu.
_ Não se preocupe meu amado consorte. Eles não poderão mais machucá-lo. _ declarou, com meio sorriso em seu lábios tentadores.
Dizendo isso, suas mãos levanta o véu e acariciaram minhas bochechas, um tanto pálidas. Eu coro e tento fugir de seu toque. Uma das mãos dele, circula atrás do meu pescoço e me puxa para ele. Sua boca me devora. Sou sentado em seu colo e sinto aquela parte dele, cutucar minha bunda. Sua boca deixou a minha e viajou para meu pescoço, onde deixou leves mordidas. A roupa que eu vestia, foi afastada um pouco no ombro, mostrando minha elegante clavícula. Sua boca travessa, chupou aqui e ali, deixando marcas vermelhas.
Quando ele parou, eu estava muito vermelho e minha parte pulsava, querendo alívio. Eu queria que esse homem fizesse aquilo comigo. Finalmente admiti o que sentia nesse momento.
De má vontade, o homem ajeita minhas roupas. Mas suas mãos descansam sobre aquela parte minha, erguida orgulhosamente no ar. Seu sorriso ao ver-me assim, me deixou furioso. Ouvi sua gargalhada.
Ele foi o primeiro a sair. Estendeu suas mãos grandes para me ajudar a descer da carruagem. Minhas mãos estavam muito frias e eu estava com medo de perder o controle. Eu queria matar aquele lixo.
Percebendo isso, o homem ao meu lado, apertou firmemente as minhas mãos e começamos a fazer a primeira parte do ritual de casamento. Andar de mãos dadas sobre essa ponte, é uma delas. Diz a lenda muito conhecida por todos, que essa ponte era muito auspiciosa para quem queria um casamento feliz e duradouro.
Foi por isso que Jin Lian conseguiu meu coração ingenuo e romântico. Eu queria isso para mim. Mas agora, eu estava fazendo isso com outra pessoa. Ele não se declarou para mim. Com gesto e ações, mostrou-me que é mais digno de mim do que Jin Lian, aquele filho da puta.
Para piorar a minha raiva, vi de longe Yan Quon com sua família, rindo e bebendo como o que ele fez comigo, não fosse nada.
Passo a passo, chegamos até onde estava as pessoas reunidas.
O imperador estava sentado em uma cadeira mais à frente com os ministros e ria feliz de algo que alguém dizia.
_ Meu filho. _ gritou o imperador Feng LongWei, quando viu a pessoa ao meu lado.
“Meu noivo”, arrastou-me até a frente do imperador.
_ Pai imperador, eu quero apresentar formalmente o meu consorte e a pessoa que o deixou cada dia mais rico.
Fui empurrado para a frente do imperador. Confesso, que fiquei mais nervoso do que nunca.
_ Sua majestade. _ falei e fiz um arco perfeito e me ajoelhei no chão, ajudado por um criado.
Minha atitude, chamou a atenção dos presentes, pela minha delicadeza. Todos estavam curiosos para saber quem era essa pessoa. Vários pares de olhos, estavam sobre meu corpo.
O imperador riu com prazer. Bem sabia que seu filho havia passado por uma prova de fogo. Nunca pensou que ele seria capaz de levantar-se novamente. Estava com medo que o trono caísse nas mãos do crápula que o havia emboscado com a ajuda de algumas das mais influentes famílias, presentes hoje nesse casamento. Depois de saber toda a verdade, o imperador desejou matar o terceiro príncipe com as próprias mãos. Ele era seu filho legítimo com a imperatriz e desejava matar seus irmãos mais velhos e tomar o trono. Se não fosse por ele, seu precioso filho não ficaria quase à beira da morte e nem se escondido do mundo. O imperador foi obrigado pelos ministros, a anunciar outro príncipe herdeiro e só havia aquele filho da puta, já que havia suprimido os dois irmãos mais velhos de forma semelhante e muito cruel. Os mais novos, não estavam aptos para assumir o cargo.
Ele olhou para a pessoa que ainda estava à sua frente e continuava ajoelhado. Isso demostrava respeito pelo o governante do país e sua sinceridade para com ele. Sentiu prazer inesperado com relação a essa pessoa. Principalmente por ela ser capaz de carregar o país nas costas sozinho, sem precisar de um título, ou muito menos de um casamento com quem quer que seja. Sabendo disso, um sorriso se estampou em seu rosto com algumas rugas. Essa pessoa seria uma bela aquisição para a família real, um presente sem preço dado por seu filho mais velho e também o seu mais precioso. Se não fosse por ele, seus cofres estariam vazios e os soldados defendendo as fronteiras, morreriam de fome, quando o inverno chegasse. Agradeceu ao céu por seu filho ter um cérebro e acabou capturando o coração de alguém muito valioso. Sabia muito bem quem era essa pessoa. Sentiu uma vontade de gargalhar em zombaria contra quem o abandonou.
_ Levante-se, consorte do meu amado filho, príncipe Da Feng. Feng HaiHe.
Muitas pessoas prenderam a respiração. Anos atrás, esse príncipe caiu na armadilha de alguém e perdeu o amor de sua vida, sua noiva prometida. Com a dor da perda, ele havia se trancado em sua mansão e nunca mais quis sair dela. Até hoje. Ainda por cima, havia trazido uma pessoa desconhecida e feito dela seu consorte. Isso foi muito surpreendente.
Havia pessoas que gostou da noticia e outras, que odiaram. Entre eles estavam o patriarca da família Yan, Yan Hong e o herdeiro da família Jin, Jin Lian. Esses dois havia conspirado com o terceiro príncipe, que havia se tornado com sucesso o príncipe herdeiro da nação Tang, jogando seus irmãos mais velhos de lado.
_ Consorte Heng LiWei, _ o imperador se levanta e vai até os noivos. _ outrora conhecido como Yin Chang, herdeiro dos Yin, enquadrado e traído pela concubina de seu pai, seu irmão, amante Jin Lian e melhor amigo, Yan Quon, declaro a todos os presentes que você será a única consorte do meu filho, sem outra pessoa para atrapalhá-lo. Hoje, _ o imperador olhou com satisfação para aquelas pessoas citadas que estavam em choque e muito pálidas. _ eu o imperador desse país, Feng LongWei, retiro Feng PieZhi, o título de príncipe herdeiro e o rebaixo a um plebeu e jogado nas fronteiras, sem direito de retornar a capital enquanto viver, por conspirar contra seu próprio sangue, na tentativa de usurpar o trono, com ajuda de aliados que terão seus bens confiscados e todos os membros serão executados.
_ Não! _ gritou descontente a imperatriz.
_ Majestade, não pode fazer isso?
_Por que eu não posso, minha imperatriz. _ zombou o imperador, olhando para ela com ar de raiva e desgosto. Por causa dela, quase havia perdido seus dois filhos mais velhos. Já era tempo de fazer uma limpeza no harém e colocar uma imperatriz digna para assumir o cargo.
_ Ele é o nosso filho e o mais capaz!
_É mesmo? _ o imperador soltou um bufo frio. _ Alguém capaz de matar seus próprios irmãos e conspirar para tirar minha vida, não é digno de sentar no trono. Quanto a você, _ ele olha friamente para a imperatriz que se encolhia com aquele olhar. _ não és digno de assumir essa posição. Então, serás jogada no palácio frio e toda sua família exterminada.
_ Não! _ gritou ela e o príncipe herdeiro que estava sendo contido pelos guardas reais.
_Leve-os embora! _ ordenou o imperador. _ Quanto a família Yin, Jin, perderam a metade de bens e serão rebaixados em três categorias, por se aliar com meu terceiro filho.
Eu fiquei pasmo nessa hora. Essas famílias ocupavam a categoria cinco, trazendo riquezas e respeito para os que carregavam esses sobrenome sobrenomes. Agora que foram rebaixados em três categorias, ocupando somente a posição dois, foi o mesmo que matá-los. Outras famílias, suprimidos por elas, passariam a pisar em suas cabeças.
_ Como desejar majestade. _ falaram todos ao mesmo tempo.
_ Quanto a Jin Lian e o patriarca Yin, não tenho provas contra a eles, por dá altas somas de dinheiro para ajudar esse filho desnaturado a tramar contra mim. Por isso, eles podem permanecer na capital e devem deixar seu cargos. Vamos continuar o casamento.
O imperador estava gargalhando sobre a desgraça de seus inimigos.
O pai de Yin Chang, parecia que havia comido merda. Nunca esperou que isso acontecesse com ele. O filho que ele desprezou, havia se tornado a consorte do príncipe herdeiro e futura imperatriz da nação Tang. Ele olhou para sua concubina com raiva. Ela se encolhia em um canto qualquer, para passar despercebida.
Yan Quon estava morrendo de inveja. Seu inimigo ganhou dele mais uma vez. Ele não deixaria essa chance passar. Ele esperaria esse casamento acabar e faria Yin Chang, morrer de vergonha.

Se pudesse tomar seu lugar…


Os ritos finalmente acabaram.

Eu respirei aliviado. Meu véu foi levantado por meu marido e tive meus lábios tomados, na frente de todo mundo, mostrando a posse dele sobre mim.
_ O príncipe herdeiro merecia coisa melhor do que um desavergonhado como Yin Chang.
A voz de Yan Quon foi ouvida em meio ao silêncio.
Eu me encolhi ao ouvir isso e tentei afastar o homem que me beijava. Mas fui mais um vez devorado, sem chance de escapar.
O imperador olhou para pessoa que falava merda e ordenou:
_ Dê-lhe cinquenta açoites por desrespeitar a consorte do meu filho por inveja e o confinem em sua casa por cinco meses. Tudo que foi dado por Yin Chang a Yan Quon, será devolvido, sem faltar nada para a mansão do consorte como indenização por tudo o ele fez no passado e agora, no presente.
Todos sabiam que o imperador gostava dessa pessoa e muitos ficaram se perguntando o por quê.
_Sei que muitos estão curiosos para saber porque eu gosto da minha “nora”. Pois bem, eu vou contar. Ah! Antes disso, eu tenho que agradecer a alguém.
Os olhos do imperador se voltaram para o patriarca Yin, cheio de zombaria. Ele não deixaria esse cara escapar ileso.
_ Eu agradeço ao patriarca Yin por jogar um tesouro que levaria sua família a grandes alturas. Sabia que seu filho é três vezes mais rico que você? Ele me tornou cada vez mais rico também. Assim, meus soldados, não morrerão de fome no próximo inverno. Com a ajuda dele, mandei arrancar as cabeças daqueles que estavam desviando fundos e aliados de inimigos de outras nações, infiltrados entre os nossos funcionários. Não sei se vocês notaram a minha “limpeza”.
Soltando a bomba, o imperador ficou olhando a reação das pessoas, sentado languidamente em sua cadeira, bebendo vinho.
Jin Lian olhou para o homem belíssimo de vermelho que era beijado com gosto pelo príncipe herdeiro. O nojo que sentia contra o homem que desprezou, se converteu em arrependimento. Se não fosse por sua burrice, quem deveria ter as mãos nessa “pata dos ovos de ouro”, seria ele. Quanto a seu esposo, sendo levando para o castigo, não se importou muito. A única pessoa que via diante dos seus olhos era Yin Chang, nos braços de outro. Faria de tudo para recuperar esse prêmio que escapou de suas mãos.
Vendo o olhar fervoroso sobre sua nora, o imperador disse:
_ Jin Lian, não pense que você vai consegui-lo de volta. Você é apenas lixo, comparado com meu filho. Antes, quando você não precisava de Yin Chang, o jogou fora, desprezando seus sentimentos e amor. Ele escolheu você à sua família e a retribuição que recebeu foi traição. _ o imperador que havia se sentado, levantou-se novamente e foi até seu filho que não queria lagar de maneira nenhuma seu esposo. _ Meu filho, alguém que arrancar seu esposo e minha nora. Não vais fazer nada?
A voz do imperador, fez com meu esposo me soltasse. Se não fosse o criado que me segurou, eu teria caído no chão de forma bem vergonhosa.
O príncipe herdeiro Da Feng, literalmente voou e deu um chute no queixo de Ji Lian que o fez cair para trás, quebrando tudo o que havia em seu caminho. Sangue explodiu de sua boca, assim como seus dentes.
Ao longe, os gritos de dor de Yan Quon cortava o silêncio.
No fim de tudo, os convidados foram embora, discutindo a sorte do príncipe herdeiro e o azar da família Yin, Yan e Jin.


Yin Chan, não, Heng LiWei, foi levado para um quarto todo decorado de vermelho. Sabia que sua castidade, seria levada hoje. Os criados responsáveis por ele, já o havia banhado e vestido-o com uma túnica branca como a neve, que mal escondia suas formas delicadas e o colocado na cama.
Da Feng, não demorou a chegar. Eu tremia muito. Ele vestia uma túnica bem parecida com a minha. Ele se aproxima da cama, com os olhos quentes de desejo e parte para o ataque.
Quando minha castidade fui finalmente tomada, nem percebi. Só senti dor em minha bunda quando ela foi penetrada. Eu estava em um carrossel de emoções. Da Feng, me fez delirar de prazer em seus braços, até que o dia estivesse amanhecendo. Meu corpo inteiro estava marcado com marcas vermelhas e doía muito. Principalmente um certo lugar que latejava e ainda obrigava uma enorme coisa, dura. Da Feng ainda estava sobre mim, de olhos fechados. Minhas pernas, enlaçavam sua cintura. Com cuidado para não acordá-lo, coloquei minhas pernas uma por uma na cama. Respirei aliviado. Eu nem conseguia mais falar porque minha garganta estava inflamada. Estava tão rouco com os gritos e gemidos que soltei durante o ato. O cansaço me dominou e cai em um sono sem sonhos e profundo.
Nem percebi que o homem, em cima de mim, sorria feliz, olhando para o meu rosto cansado. Ele começou a se movimentar novamente.
Mesmo dormindo, eu sentia cada um dos seus movimentos. Eu não queria abrir os olhos, gemia baixinho.
Quando ele terminou, sai de dentro do meu corpo e me coloca de costas para ele e adormece, me segurando tão forte, que ás vezes, doía. Acho que ele tinha medo que eu fugisse.


Essa foi a primeira vez de muitas. Cada toque que ele me dava, me desarmava completamente. E minha vida seguiu um rotina, feita por ele.
Eu fui morar na mansão que era destinada ao príncipe herdeiro. Cada dia que passava, Da Feng demostrava que sentia por mim. Ninguém fora daquelas paredes, era mais importante que eu. E assim fui me acostumando em minha gaiola dourada. Mas, eu almejava a liberdade.

Um dia, eu o confrontei. Passei a passear com alguns guardas para garantir a minha segurança, mas que dizia cada passo meu, a ele. Eu não ligava muito para isso.
Certo dia, por azar, dei de cara com Jin Lian. Ele se aproximou de mim e tentou tocar em das minhas mãos. Senti nojo e repulsa. A dor que eu queria esconder, fez-me quase parar de respirar. Meu peito doía desconfortável. Lembrava vividamente o que ele e meu ex-amigo havia feito contra mim. Eu ainda não podia colocar minhas emoções sobre controle. Escondi as mãos atrás das minhas costas para não esmurrá-lo ali mesmo. Passei por ele como se fosse um nada e continuei meu caminho. Dessa vez, eu iria curtir um show de artes marciais, que ocorria a cada meio ano e amava de coração.
Como consorte do príncipe herdeiro e dono do lugar, todos os funcionários, mimavam-me em dobro. Nem vi que Jin Lian, estava bem atrás de mim, seguindo-me como um cachorro, obediente.
Olhei para cima do ombros com desprezo escrito nos olhos e ordenei aos guardas:
_ Jogue-o fora e não permita que ele venha mais aqui. Não quero sujar meus olhos e ouvidos com suas palavras e presença.
Os guardas o arrastaram para fora. Ainda escutei seus gritos que foram calados por alguém. Não me importei mais com ele.
Quando fui embora para mansão, um homem muito possessivo me arrastou para o quarto. Da Feng me jogou na cama durante muito tempo, sem qualquer piedade. Acabei com dor na cintura e aquele lugar, latejava. Meu marido era muito feroz na cama. Se estivesse com ciúmes então…


Quando o dia amanheceu, o imperador veio pessoalmente para nos vê, trazendo muitos presentes. Eu ainda dormia cansado pela noite de sexo que tive.
Um criado veio me acordar e me contou que meu pai imperial, exigência dele, veio nos visitar. A pilha de presente que já fazia uma pequena montanha no meu quarto, me deixou de queixo caído.
Tão esbanjador!, pensei.
Depois de banhado e vestido, fui prestar homenagem a ele. Na sala, o imperador estava rindo com meu marido, tomando chá e comendo bolinhos.
_ Bom dia, pai imperial.
_ Ahhhhh! Venha, venha, meu bom filho.
Um criado, arrasta uma cadeira ao lado de Da Feng. Sentei-me e Da Feng coloca chá para mim e um pãozinho no vapor na minha frente.
Vendo o cuidado que seu filho estava tendo por mim, o imperador ficou contente.
Era noite quando ele resolveu ir embora. Eu estava muito cansado.
Da Feng vendo isso, colocou-me em seus braços e me arrastou para o quarto. Pediu a criado que preparasse meu banho. Então, ele levou-me para o banheiro e cuidou do meu corpo, enquanto se aproveitava de mim. Meu marido não estava satisfeito em fazer aquilo comigo à noite. Tirava um tempinho para devora-me sempre que podia. Ás vezes eu pensava que esse homem era movido a sexo. Nunca conheci alguém tão intenso como ele.
E assim dois anos se passaram tranquilamente. Nunca busquei saber nada da família Yin, Yan Quon e Jin Lian, que havia me deixado em paz. Agradeci aos céus por isso.

Acordo das minhas dolorosas lembranças, quando o barco bateu na escada que dava acesso a ponte e as ruas, com um baque forte. Nela, um homem muito bonito, me esperava. Mas seus olhos estavam nas duas pessoas sobre a ponte, com raiva e nojo. Ciúmes também brilhavam naquelas íris. Por cima do ombro, olhei uma última vez em despedida. Ali, eu finalmente me livrei dessa dor que me corroía. Não queria mais olhar para o passado. Só o presente me interessava agora. Olhei para o homem á minha frente e ri pela primeira vez, desde o nosso casamento. Sai do barco e o abracei com força. Percebi que eu o peguei de surpresa, pelas minhas ações.
_ Estou finalmente livre. _ sussurrei baixinho, com a boca encostada em seu peito.
Tudo começou e terminou ali…
Da Feng me abraçou de volta, ouvindo minhas palavras. De mãos dadas, subimos as escadas, eu ria e conversava com ele alegremente. Meu riso hipnotizante, soava nos ouvidos de quem o ouvisse, como uma música. Meu marido muito possessivo, calou minha boca com um beijo. Só ele era digno de escutar minha risada.
Vários meses depois, soube que me pai havia assassinado sua concubina, assim que descobriu que o filho que ele achava que era dele, pertencia a outra pessoa. O pai biológico dele quando descobriu que sua amante foi assassinada, destruiu a família Yin em apenas uma noite. Nem mesmo seu próprio filho, repudiado pelo marido, escapou.
A última vez que vi aquele par de triadores, foi a noite que Jin Lian abandonou Yan Quon por outra pessoa.
Eu ri. Sabia que havia as mãos do meu marido no meio de tudo isso. Não liguei. Aconchei-me ao corpo que abraçava na cama e adormeci.


Mais um ano se passou. Soube por um criado que lidava com minhas correspondências, que Jin Lina havia me mandado várias cartas que eram queimadas por Da Feng depois que as lia. Descobri que ele havia sido vendido como escravo para quitar dívidas de jogo, para um rico comerciante que adorava homens com rosto bonitos. Ele ficavam com eles por um tempo. Quando cansava, os mandava para os bordéis para entreter clientes bem sádicos.
Não soube que fim Yan Quon teve. E nem quis.
A punição que o imperador lhe impôs, acabou fazendo com que sua família o expulsasse, sem chance de voltar.
Eu, o indigno de amar, acabei encontrando alguém que era tão ferido como eu. Não precisávamos dizer “eu te amo”, para definir esse sentimento. Mas, nós demostrávamos com gestos, ações, confiança e muito repeito com o parceiro.
Quando o imperador morreu, chorei muito. Havia perdido um pai amoroso.
Da Feng subiu ao trono e me levou junto. Governarmos com sabedoria e força.
As pessoas da noção Tang, nunca poderia imaginar que uma criança abandonada, trairia tanta prosperidade, sendo motivo de inveja por outras nações vizinhas.
Fiz acordos comerciais com vários desses vizinhos, que nos recompensou com muito dinheiro e longos tratados de paz.
Uma noite, Da Feng, que dormia ao meu lado, sussurrou em meu ouvido:
_ Eu te amo, meu amado consorte Yin.
Eu ri. Eu também o amava.

Crepúsculo*: Normalmente, acontecem no instante em que o Sol, “ao nascer” ou “se pôr”, encontra-se escondido porém próximo à linha do horizonte, iluminando as camadas superiores da atmosfera. Em alguns casos, como em regiões montanhosas, o crepúsculo pode ocorrer antes do pôr do sol ou depois do nascer do astro.










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